Nos últimos anos acompanhamos de perto a ascensão de um tipo de luxo mais reservado, sofisticado e intemporal. O conceito de “quiet luxury” (luxo discreto), amplamente debatido em sectores como moda e design, começa agora a ganhar corpo com grande impacto na arquitetura, que também é um território fértil para a Geração Z, que valoriza qualidade, autenticidade e propósito.
O que é o Quiet luxury?
Quiet luxury define-se por uma estética comedida, que se diferencia do luxo ostentatório por se basear em qualidade superior, durabilidade, materiais nobres e um design minimalista. Em vez de logótipos vistosos ou ornamentos exagerados, privilegia-se a funcionalidade apurada e a beleza subtil. Marcas como Loro Piana, The Row, Brunello Cucinelli e Hermès são frequentemente associadas a este estilo discreto.
A WGSN, referência global em forecast de tendências, destacou o quiet luxury como uma das principais correntes para 2025, reforçando a sua relevância no design, tanto de produto como de interiores . Podes aceder ao sumário oficial das tendências da WGSN para 2025 aqui
Geração Z: consumo com consciência e estética silenciosa
A Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) caracteriza-se por uma postura crítica e consciente: preocupações ambientais, instabilidade económica e uma cultura digital intensa moldaram uma geração que privilegia experiências, autenticidade e compromisso ético.
Estudos como o da McKinsey (2023) mostram que cerca de 66% dos Gen Z valorizam marcas com valores sólidos. Preferem gastar em produtos que transmitam propósito. A arquitetura com quiet luxury encaixa perfeitamente: espaços sustentáveis, materiais duráveis, estética minimalista e conforto sensorial são cada vez mais procurados por esta geração.

Da moda à arquitetura: quiet luxury em ação
Os aspetos da arquitetura que mais comunicam este luxo discreto incluem:
- Materiais nobres e autênticos: pedra natural, madeira maciça, betão aparente ou cal hidráulica.
- Paletas neutras: tons de bege, cinza suave, areia — criam ambientes serenos e relaxantes.
- Tecnologia oculta: domótica aplicada com discrição, sem interferir na pureza visual.
- Iluminação natural e acústica cuidada: elementos que privilegiam o bem-estar.
- Detalhes sofisticados, mas subtis: janelas com vista, marcenaria cuidada, layouts inteligentes e ergonómicos.
Minimalismo com emoção: uma nova narrativa
O minimalismo do quiet luxury não é frio, mas sim sensorial. O foco recai no conforto, micro‑experiências positivas, sensações tácteis e auditivas, e espaços que abracem quem os habita, algo que a Geração Z valoriza como parte do seu bem-estar.
Para esta geração, muitas vezes sobrecarregada por estímulos digitais e ritmo acelerado, este tipo de ambiente funciona como um contraponto terapêutico. O lar torna-se um espaço de reconexão emocional, auto expressão e bem-estar.
Nós já falamos aqui no blog como que espaços bem projetados, com foco no bem-estar emocional, contribuem significativamente para a redução do stress, melhoria da concentração e saúde mental.
É aqui que o minimalismo encontra a emoção: quando o design serve não apenas para agradar ao olhar, mas para acolher a vida real, com sensibilidade e sentido.
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Entre o quiet luxury e o caos criativo
Interessante notar que a WGSN também identifica outro movimento: o “chaotic customisation”, um máximo de personalização e exuberância decorativa, que contrasta com o minimalismo silencioso que falamos aqui. Contudo, mesmo este cenário representa um desejo de autenticidade e expressão, valores que podem coexistir com o luxo discreto, mas aplicados com moderação nos espaços habitacionais.
A arquitetura do novo luxo
O quiet luxury oferece um caminho para uma arquitetura de alma, intemporal, ética e emocionalmente rica. Para a Geração Z, que busca experiências com significado, este tipo de espaço representa não apenas um cenário físico, mas um manifesto de valores.
Convidamos-te a conhecer alguns dos nossos projectos, nos quais esta abordagem ganha forma através de espaços que privilegiam a subtileza, o conforto e a elegância intemporal. Onde menos é mais, mas com sentido, estrutura e sensibilidade.